quarta-feira, 11 de julho de 2012

No Pain, No Gain!


Tenho pensado muito na minha vida, e nos rumos que tenho feito e pretendo fazê-la tomar. Às vezes eu penso que estou apenas empurrando com a barriga, só pra ver onde vai. É como se eu tocasse a minha vida pra frente sem mirar um alvo, sem um objetivo traçado. Embora eu tenha meus sonhos, minhas metas, eles parecem tão distantes, e hoje pouco faço para que projetos para daqui a 2, 5 ou 10 anos possam se concretizar. Eu mal consigo cumprir planejamentos para o mês que vem! Tudo isso porque sou uma pessoa acomodada, preguiçosa e conformada.

Sempre admirei as pessoas que, já tão jovens, são focadas naquilo que pretendem para o seu futuro, que correm atrás do que buscam, não perdem tempo com besteira e não se deixam distrair por qualquer coisa. Aqueles alunos que fazem mil coisas na faculdade, que levam tudo em dia, que não se dispersam em nenhum momento nas aulas... Mas essas pessoas sempre me deram tanta preguiça... Cansam só de pensar. Cansam porque não me julgo capaz de ser como elas. Ou talvez nunca tenha nem tentado! É que é mil vezes mais cômodo ficar no meu comodismo, no meu marasmo, na minha zona de conforto, vendo a vida passar... Talvez seja justamente por isso que a vida pareça tantas vezes sem sentido pra mim. Não tem como viver na louca, deixando o destino se encarregar, sem fazer nada para contribuir. As coisas não caem do céu, e o milagre somos nós que fazemos acontecer.

É que a vida carece de sentido, e o sentido é a gente quem dá. Cada vez mais tenho me convencido de que a minha existência faz parte de algo muito maior, e que vai além de satisfazer nossos próprios prazeres. Se tudo fosse uma mera casualidade, não teria problema passar pela vida com cada um fazendo o que bem entendesse. Mas para mim, a gente veio ao mundo para ser feliz e fazer felizes aqueles que amamos. Não acho que seja possível ser feliz sozinho, conforme uma fatídica frase de um fatídico fime, “Happiness is only real when shared”, e só isso já bastaria para nos tirar do nosso comodismo! Mas essa é a minha opinião (um dia quem sabe discorrerei sobre isso!). O que eu acho que vale para todos é que cabe a cada um estabelecer um propósito de vida, fazendo usufruto dela de uma forma racional e produtiva.

E para isso se concretizar não é suficiente viver de prazeres, satisfazendo as necessidades imediatas. Talvez alguns possam dizer: “mas e daí se sou feliz desse jeito, ficando aqui no meu canto, comendo minhas guloseimas, levando o trabalho do jeito que dá, estou ganhando o meu dinheiro, pagando o meu sustento, satisfazendo os meus prazeres, isso me basta!”. Ter como objetivo viver a mando dos próprios prazeres é pra mim um propósito oco, vazio. Acho que não há nenhum ser sensato nesse mundo que não busque a felicidade, e o que traz real felicidade ao ser humano  é a realização dos seus sonhos, é o alcance daquilo que parecia impossível, é a superação, é o desafio. E não é sentado na frente da TV que isso acontece...

Pressupondo que a maioria das pessoas concorde com essa definição de felicidade, muitos (inclusive eu!), embora já tenham dado um grande passo em pensamento, vacilam quando a questão é colocar em prática, abandonar o comodismo e passar do “modo existir” para o “modo viver”. Tudo parece tão difícil...! É muito fácil que nos coloquemos na posição de vítimas, de forma que pra gente tudo é mais difícil, mais penoso, enquanto que para os outros, aqueles “gênios”, a mesma atitude parece fluir com imensa facilidade. Mas a verdade é que as pessoas mais bem sucedidas, ou as que pelo menos estão correndo atrás do seu prejuízo, não se deixam abater pelas dificuldades, que existem e é fato! Embora haja sofrimento, elas são movidas pela recompensa, pela certeza de que o trabalho frutificará em resultados e em crescimento pessoal. Ninguém gosta de passar por sofrimento, mas muitas vezes a provação, o desafio e as dificuldades são necessários para atingir o êxito que queremos. É muito mais gostoso, por exemplo, ficar em casa em um dia chuvoso embaixo das cobertas comendo um pacote de chocolate. Mas é muito gratificante chegar em casa com a sensação de missão cumprida após ter dedicado uma hora que seja do seu tempo na academia! Trata-se de um sentimento de querer se cuidar, de estar bem consigo mesmo, de superar uma limitação, e é claro que isso traz ganhos: bem estar, auto estima, satisfação, enquanto que, comer uma barra de chocolate pode ser prazeroso a curto prazo, mas muitas vezes (e comigo quase sempre!) acompanha um sentimento de culpa.

Da mesma forma funcionam as demais esferas da nossa vida. Após observar muito, refletir sobre como tenho a conduzido, sobre como tenho lutado pelo meu sucesso e pelo meu futuro, e conversando com gente que já venceu e que ainda está lutando, só pude perceber uma coisa: não é fácil pra ninguém! E que para ter êxito, é preciso sair da zona de conforto. Quebrar a cabeça com os estudos, com trabalhos, gastar tempo afiando nosso machado, aprimorando nossa formação profissional, fazendo cursos, assistindo palestras, indo a congressos, etc, parece muito chato e massante quando ainda faltam 2 anos para você se formar (meu caso!), ou então é uma atitude que só cabe para os experts, afinal de contas eu não sou nenhum Steve Jobs, e nem tenho a pretensão de ser. Mas, sabe, embora esse padrão de pensamento seja uma constante na minha vida, eu admito: como é limitado!!!

Não se trata de almejar ser o melhor aluno da faculdade, ou o melhor profissional, mas simplesmente se trata de tentar ser o melhor que se pode ser, ou então acima da média do que pode ser! Deve ser extenuante viver sempre no limite superior da nossa capacidade, mas é óbvio que fazendo o mínimo também não nos garante nenhum progresso. Conforme uma sábia frase de Martin Luther King, “A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio”. É saindo da zona de conforto que nos faz crescer como pessoas, nos dá sabedoria, experiência e sucesso. E é conforme já discutimos: a zona de conforto é um lugar cômodo e seguro, mas ela não faz a gente caminhar para frente. Demandar esforço, se expôr ao risco, ao sofrimento, à adversidade, é sim mais penoso, mas nos faz superar os nossos limites, e o prazer de uma vitória é algo indescritível, só vivendo para conhecer. É como um esforço repetitivo, a musculação, por exemplo. Na primeira vez que erguemos um determinado peso será bastante incômodo, o corpo ficará dolorido, ficaremos indispostos. Mas se nos submetermos à repetição dos exercícios, apesar de poder ser um tanto desagradável no começo, logo já estaremos habituados a ele e já não nos parecerá tão pesado. Mas daí, quando nosso músculo tiver se habituado a ele é como se criasse uma resistência, e aí deixa de fazer efeito. A partir desse ponto, para progredirmos com resultados será necessário aumentar esse peso, nos submetendo a todo o ciclo de novo. Vai doer de novo, vai cansar de novo, mas é um esforço necessário para o resultado que se deseja alcançar!

É difícil, mas é preciso parar de deixar os objetivos sempre no plano das idéias  e sempre na etapa do planejamento. Nunca é tarde, sempre há tempo para mudar de atitude, para melhorar e crescer. E o melhor pensamento para se ter nesses momentos é que, no mínimo, o objeto de todo esse investimento não é ninguém além de nós mesmos. E quem não se sente com mais auto estima, mais feliz e satisfeito, ao perceber que seu desempenho no trabalho está progredindo, que está com um corpo em forma, que está conseguindo por as metas em prática? É preciso ter carinho com a gente mesmo, querer se cuidar, estar sempre melhor a cada dia! Temos que parar de se contentar com a mediocridade e lembrar que a superação dos próprios limites é necessária para o êxito existir! E estaremos concretizando mais plenamente a nossa felicidade a partir do momento em que começarmos a por em pratica a missão que estabelecemos para nós de fazer a nossa existência valer a pena e fazer alguma diferença.

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